Terapia da Fala

O Terapeuta da Fala é o profissional responsável pela prevenção, avaliação, intervenção e estudo científico das perturbações da comunicação humana, englobando não só todas as funções associadas à compreensão e expressão da linguagem oral e escrita, mas também outras formas de comunicação não verbal.

O Terapeuta da Fala intervém, ainda, ao nível da deglutição (passagem segura de alimentos e bebidas através da orofaringe de forma a garantir uma nutrição adequada). O Terapeuta da Fala avalia e intervém em indivíduos de todas as idades, desde recém-nascidos a idosos, tendo por objetivo geral otimizar as capacidades de comunicação e/ou deglutição do indivíduo, melhorando, assim, a sua qualidade de vida (ASHA, 2007).

A Terapia da Fala na primeira infância passa pela intervenção indireta e direta junto dos pais e das crianças. Na intervenção indireta é dada ênfase à aliança terapêutica entre os pais e o terapeuta, seja ao nível do aconselhamento e esclarecimento, da partilha e capacitação para a utilização de estratégias de intervenção e até mesmo da inclusão dos pais como elementos de cooperação na intervenção terapêutica.

Na intervenção direta é priorizada a aliança terapêutica entre a criança e o terapeuta, em contexto de sessão, desenvolvendo para isso atividades de carácter lúdico que promovam o envolvimento e participação das crianças, considerando sempre os seus gostos pessoais/preferências e/ou vivências, tendo por base uma intervenção holística.

A intervenção terapêutica inicia-se com a realização de uma avaliação individual, de carácter informal e/ou formal, com provas de avaliação adaptadas à faixa etária de cada criança e à área de desempenho comprometida.

A avaliação individual da criança tem como principal objetivo traçar um perfil de competências funcionais, elaborar um plano de intervenção terapêutico e definir as áreas fortes e fracas de desempenho, aspetos que devem guiar todo o processo de intervenção terapêutica.

Ficam alguns conselhos/sinais de alerta para se perceber quando é necessário procurar um terapeuta da fala:

  • Não reage aos sons, não sorri ou interage com os outros (primeiros meses)
  • Não balbucia, não faz contacto visual (4 – 7 meses)
  • Produz poucos sons e gestos, como o apontar, não imita ou tenta imitar, não compreende ordens simples (7 – 12 meses)
  • Produz poucas palavras (12 – 18 meses)
  • As suas produções são difíceis de serem compreendidas pelos outros (18 meses – 2 anos)
  • Não junta palavras para construir frases (18 meses – 3 anos)
  • Apresenta dificuldade em brincar e falar com outras crianças (2 – 3 anos)
  • Omite e/ou troca sons nas palavras
  • Apresenta bloqueios, repetições e prolongamentos de sons, sílabas ou palavras (gagueja)
  • Apresenta voz rouca ou nasalada
  • Respira maioritariamente pela boca (respirador oral)
  • Apresenta dificuldades na mastigação e deglutição de alimentos
  • Apresenta dificuldades ao nível da leitura e da escrita

Identificar os sinais de alerta e procurar um Terapeuta da Fala pode fazer a diferença no desenvolvimento comunicativo da criança e determinar um crescimento social, emocional e académico harmonioso.