Terapia Ocupacional

Os Terapeutas ocupacionais atuam em diversas áreas de intervenção com pessoas de todas as idades, cujo objetivo prende-se sempre com a promoção da funcionalidade, autonomia e independência de modo a melhorar a qualidade de vida, bem-estar e participação.

A Terapia Ocupacional atua na Pediatria abrangendo diversas problemáticas nos componentes cognitivos, sensório-motores, psicológicos e psicossociais, nas crianças que apresentam dificuldades nas diferentes áreas de desempenho (atividades da vida diária, produtivas e de lazer), considerando os seus diferentes domínios de uma forma holística e numa perspetiva de integração familiar, educativa e social.

Dá assim ênfase ao desenvolvimento das competências que permitem à criança brincar, aprender, comunicar e relacionar-se com os outros de uma maneira eficaz, cuidar de si mesmo e aprender, utilizando, se necessário, dispositivos e estratégias adequadas às suas necessidades.

O Terapeuta Ocupacional é um técnico superior da área da saúde que atua na prevenção, avaliação e tratamento de problemas de desempenho ocupacional, habilitando a pessoa em risco de ou com disfunção ocupacional, para a realização das ocupações do dia-a-dia. Estas ocupações consistem no conjunto de atividades que a pessoa necessita de realizar e/ou considera importantes para dar sentido e significado à sua vida.

Terapia da Fala

O Terapeuta da Fala é o profissional responsável pela prevenção, avaliação, intervenção e estudo científico das perturbações da comunicação humana, englobando não só todas as funções associadas à compreensão e expressão da linguagem oral e escrita, mas também outras formas de comunicação não verbal. O Terapeuta da Fala intervém, ainda, ao nível da deglutição (passagem segura de alimentos e bebidas através da orofaringe de forma a garantir uma nutrição adequada). O Terapeuta da Fala avalia e intervém em indivíduos de todas as idades, desde recém-nascidos a idosos, tendo por objetivo geral otimizar as capacidades de comunicação e/ou deglutição do indivíduo, melhorando, assim, a sua qualidade de vida (ASHA, 2007).

A Terapia da Fala na primeira infância passa pela intervenção indireta e direta junto dos pais e das crianças. Na intervenção indireta é dada ênfase à aliança terapêutica entre os pais e o terapeuta, seja ao nível do aconselhamento e esclarecimento, da partilha e capacitação para a utilização de estratégias de intervenção e até mesmo da inclusão dos pais como elementos de cooperação na intervenção terapêutica. Na intervenção direta é priorizada a aliança terapêutica entre a criança e o terapeuta, em contexto de sessão, desenvolvendo para isso atividades de carácter lúdico que promovam o envolvimento e participação das crianças, considerando sempre os seus gostos pessoais/preferências e/ou vivências, tendo por base uma intervenção holística.

A intervenção terapêutica inicia-se com a realização de uma avaliação individual, de carácter informal e/ou formal, com provas de avaliação adaptadas à faixa etária de cada criança e à área de desempenho comprometida.

A avaliação individual da criança tem como principal objetivo traçar um perfil de competências funcionais, elaborar um plano de intervenção terapêutico e definir as áreas fortes e fracas de desempenho, aspetos que devem guiar todo o processo de intervenção terapêutica.

Ficam alguns conselhos/sinais de alerta para se perceber quando é necessário procurar um terapeuta da fala:

  • Não reage aos sons, não sorri ou interage com os outros (primeiros meses)
  • Não balbucia, não faz contacto visual (4 – 7 meses)
  • Produz poucos sons e gestos, como o apontar, não imita ou tenta imitar, não compreende ordens simples (7 – 12 meses)
  • Produz poucas palavras (12 – 18 meses)
  • As suas produções são difíceis de serem compreendidas pelos outros (18 meses – 2 anos)
  • Não junta palavras para construir frases (18 meses – 3 anos)
  • Apresenta dificuldade em brincar e falar com outras crianças (2 – 3 anos)
  • Omite e/ou troca sons nas palavras
  • Apresenta bloqueios, repetições e prolongamentos de sons, sílabas ou palavras (gagueja)
  • Apresenta voz rouca ou nasalada
  • Respira maioritariamente pela boca (respirador oral)
  • Apresenta dificuldades na mastigação e deglutição de alimentos
  • Apresenta dificuldades ao nível da leitura e da escrita

Identificar os sinais de alerta e procurar um Terapeuta da Fala pode fazer a diferença no desenvolvimento comunicativo da criança e determinar um crescimento social, emocional e académico harmonioso.

Massagem Infantil 

A Massagem Infantil passa por um conjunto de técnicas manuais realizadas pelos pais e cujos benefícios estão demonstrados em inúmeros estudos científicos.  Os  seus principais benefícios são: Estimular; Aliviar; Interagir; Relaxar.

  1. Estimular

A massagem permite a estimulação dos sistemas: circulatório, digestivo, hormonal, imunitário, linfático, nervoso, respiratório, vestibular (relativo á coordenação e balanço).

Ajuda também no desenvolvimento da linguagem, na melhoria das capacidades de aprendizagem, no desenvolvimento muscular e tónico, no crescimento,  e ajuda nas ligações entre neurónios (a massagem promove e acelera o crescimento do revestimento de mielina) e consciência mental/corporal.

  1. Aliviar

A massagem pode ajudar a aliviar gases, cólicas e obstipação, ajuda com dores gastrointestinais, de crescimento e tensão muscular. Alivia também casos de desconforto dos dentes, de muco em excesso, de desorganização do sistema nervoso, sensibilidade ao toque, e  tensão física e psicológica.

  1. Interagir

A interação inclui: promoção do “bonding”, de uma vinculação segura, desenvolve a comunicação verbal e não verbal. Ajuda a melhorar as competências comunicacionais pré-linguísticas e ainda estimula o uso dos cinco sentidos.

É tempo de qualidade para a família onde o amor, tolerância, empatia,  imitação e o respeito são trabalhados.

  1. Relaxar  

No que toca ao relaxamento, a massagem infantil promove o aumento da flexibilidade, dos mecanismos ambientais de coping,  e uma melhor regulação do comportamento.

Ajuda a que os bebés estejam calmos e melhorem a sua capacidade de se acalmarem (autorregulação), os níveis e hormonas do stress diminuem (como o cortisol e a noradrenalina) e aumentam os níveis de relaxamento e de hormonas anti-stress (como a ocitocina e serotonina), aumenta também o nível de dopamina. Diminui a hipersensibilidade e a hiperatividade.

Cinesioterapia Respiratória

A Cinesioterapia Respiratória Pediátrica consiste  num conjunto de técnicas manuais, guiadas pela auscultação pulmonar e tem como objetivo melhorar a função respiratória:

– promove a desobstrução das vias aéreas
– aumenta o descolamento, progressão e eliminação das secreções
– melhora a ventilação e as trocas gasosas

E consequentemente melhora o sono e a alimentação.

É indicada para infeções respiratórias agudas e crónicas – bronquiolite, pneumonia, asma…

Deve recorrer à Cinesioterapia Respiratória Pediátrica quando o bebé/criança apresenta:

– Obstrução nasal;

– Tosse;

– Expetoração (acumulação de secreções e dificuldade em as eliminar);

– Diminuição do apetite e alteração do sono.

O que é feito na consulta de Fisioterapia Respiratória Pediátrica:

– avaliação da condição respiratória do bebé/criança;

– intervenção utilizando técnicas manuais;

– ensino aos pais.

Esta especialidade é realizada por um Fisioterapeuta especialista na área e pode ser realizada na clínica ou no domicílio.